Esse produto foi contruído como materaial e apoio para professores de Filosofia e História que desejam trazer para sala de aula uma proposta decolonial de ensino.

PRETAPOD! POSSIBILIDADES DO ENSINO DE FILOSOFIA
DECOLONIAL
Resumo:
Este
trabalho está direcionado aos professores que queiram pensar a Descolonização da filosofia. Tendo como objetivo
entender as diversas
manifestações do pensamento latino-americano e sobretudo o pensamento
brasileiro, incluindo a contribuição feminina dentro desse contexto. Para tanto
será construído um manual com links para o podcast
PretaPod!, em que os professores poderão ter acesso,
tanto ao que se refere a construção conceitual de cada episódio, quanto ao próprio
episódio. O modelo a ser seguido enquanto metodologia, abarca dois
materiais que serão disponibilizados em formato digital. Num primeiro, trata-se
de todo esquema teórico envolvendo roteiros de cada episódio
e possíveis bibliografias para serem trabalhadas em cada aula. O segundo
formato, será apresentado utilizando a ferramenta do Youtube e instagram para a
divulgação de pequenos podcasts para melhor esclarecimento dos temas estudados.
Os quatro primeiros episódios serão apresentados por essa docente. O último
episódio uma participação especial de Nego.AS, ex-aluno do Colégio Estadual
Bráulio Xavier, que participou da aplicabilidade desse novo ensino de Filosofia
em sua turma. Em termos de apresentação, este trabalho se pretende mais como um
manual de como pensar, do que uma regra de como fazer. São caminhos possíveis,
mas não são únicos e nem acabados, dado a dialética filosófica.
Objetivo:
Pensar e fazer uma
filosofia decolonial, enfatizando o pensamento filosófico latino- americano,
levando em conta as diversas manifestações filosóficas existentes no pensamento
brasileiro.
Objetivos Específicos:
·
Entender a filosofia enquanto
decolonial;
·
Evidenciar o pensamento latino-americano;
·
Compreender as manifestações filosóficas existentes no pensamento feminista Brasil;
·
Elaborar um Produto Educacional em formato de manual com links para o
podcast (PretaPod!).
Metodologia: Metodologia:
Este trabalho pretende
enquanto metodologia, trabalhar conteúdos relacionados a uma filosofia
decolonial. Sugerindo possibilidades de pensar para uma sala de aula do Ensino
Médio, uma forma de entender uma
filosofia produzida no Brasil e América Latina. O podcast PretaPod! Surgirá
como possibilidade de transmitir os vídeos que estarão disponíveis numa plataforma digital, a saber,
o youtube. Com duração máxima de 15 minutos.
Uma versão digital em forma
de Manual será divulgado para que o acesso seja amplamente atingido,
para as mais diversas escolas
e áreas de Ensino, uma vez que a Filosofia mesmo se pretendendo
enquanto consistência conceitual e construção dialógica do pensamento, ela
também está a serviço das mais diversas ciências. Segue abaixo um roteiro
possível para a realização dos podcasts, inicialmente pensado para ser
divulgado em 5 episódios.
Do roteiro
Episódio 01 – e se... eu pensasse uma filosofia contracolonial?

Roteiro:
Leitura: “ Nos primeiros
passos da minha vida, os mais velhos me orientaram a ouvir os cantos dos pássaros e os chiados da mata. Compreendo o ambiente onde dei os meus primeiros passos como uma das bases de lançamento de minha trajetória. Uma memória maravilhosa desse tempo que ainda usa é acordar
ouvindo o canto dada passarada informando quais condições meteorológicas do
dia.” Nego Bispo
-
E se eu pensassasse uma filosofia Contracolonial?
- O que é a contracolonialidade para Nego Bispo?
- A natureza
é parte de nós.
- Raízes identitárias que vem de longe.
-
O processo de colonização e suas raízes.
- Usando o colonialismo contra
a colonialidade.
-
É possível sim fazer uma
filosofia contracolonial, em que a sala de aula fosse um dispositivo para
entender de onde cada um vem.
-
Saberes da oralidade.
-
Uso da circularidade e do saber reciproco dentro da sala de aula, onde se encontra a maioria.
-
Filosofia e Ancestralidade.
- Entender a minoria e se localizar na maioria.
Referência:
BISPO, Antônio dos Santos. A
terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu
Editora/PISEAGRAMA, 2023.
Material de apoio para professores:
PretaPod!
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=A5icbS8MNKI
História de Nego Bispo: https://www.youtube.com/watch?v=yn7Ba1Xhp6E
Bibliografia: Krenak, Ailton. A vida não é útil.
São Paulo: Companhia das Letras,
2020.
Episódio 02
– e
se... meu corpo fosse um território?

Roteiro:
Texto de abertura:
“cença aqui,
patrão, eu cresci
no mundão Onde o filho chora
e a mãe não vê
E covarde
são quem tem tudo de bom
E fornece o mal pra favela morrer
Uns acham que são, mas nunca
vão ser Feio é arrastar e nem
perceber” Criolo
- Vamos falar de decolonialidade?
-
O território pode ser um corpo?
-
Será que o corpo-território pode falar por si?
-
Relação de corpo e colonialidade.
-
Descolonização do corpo
– possibilidades de entender tanto
o corpo quanto
o território.
-
E se minha sala de aula entendesse o território de cada corpo?
-
As intersecções e atravessamentos do corpo-território e nossa sala de aula.
Material de apoio para professores
Miranda, Eduardo
Oliveira. Corpo-território & educação decolonial : proposições afro- brasileiras na invenção da docência / Eduardo Oliveira
Miranda. - Salvador
: EDUFBA, 2020.
Vídeo:
Link para o PretaPod!
https://www.youtube.com/watch?v=5Ap9pEImOJY
Vídeo do Eduardo Miranda: https://www.youtube.com/watch?v=PyuReaNS7A
Grada Kilomba: Memórias da plantação: Episódios de racismo
cotidiano (entender o conceito
de Self)
Episódio 3- E se... eu entendesse o racismo?

Roteiro
“Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil,
fuzil”
- O que é raça?
- Raça e subalternidade.
- Naturalização do “ser subalterno”.
-
Mulheres negras
e opressões cruzadas/interseccionalidade.
- Raça e classe
– estrutura do racismo cotidiano.
- E se minha sala de aula não fosse racista?
Material de apoio
para professores
Pele Negra, máscaras brancas
– F. Fanon
Racismo Estrutural – Silvio de
Almeida
Vídeo: PretaPod! Link
Episódio 04 – e se... uma mulher preta falar?

Roteiro:
Leitura do discurso de Sojouner Truth
Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam
de ajuda para subir em carruagens, e devem ser carregadas para atravessar valas,
e que merecem o melhor
lugar onde quer que
estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, e nunca me ofereceram melhor lugar algum! E não sou
uma mulher? Olhem para mim? Olhem para meus braços!
Eu arei e plantei, e juntei a colheita nos celeiros, e homem algum poderia estar à minha frente. E não sou
uma mulher? Eu poderia trabalhar tanto e comer tanto quanto qualquer homem –
desde que eu tivesse oportunidade para isso – e suportar o açoite também! E não
sou uma mulher? Eu pari 3 treze filhos e vi a maioria deles ser vendida para a
escravidão, e quando eu clamei
com a minha dor de mãe, ninguém
a não ser Jesus me ouviu! E não
sou uma mulher?
Daí eles falam dessa coisa
na cabeça; como eles chamam isso… [alguém da audiência sussurra, “intelecto”).
É isso querido. O que é que isso tem a ver com os direitos das mulheres e dos negros?
Se o meu copo não tem mais que um quarto, e o
seu está cheio, porque você me impediria de completar a minha medida?
Daí aquele homenzinho de
preto ali disse que a mulher não pode ter os mesmos direitos que o homem porque
Cristo não era mulher! De onde o seu Cristo veio? De onde o seu Cristo veio? De
Deus e de uma mulher! O homem não teve nada a ver com isso.
Se a primeira mulher que
Deus fez foi forte o bastante para virar o mundo de cabeça
para baixo por sua própria
conta, todas estas mulheres juntas
aqui devem ser capazes
de conserta-lo, colocando-o do jeito certo novamente. E agora que elas estão exigindo
fazer isso, é melhor que os homens as deixem fazer o que elas querem.
Agradecida a vocês por me escutarem, e agora a velha Sojourner
não tem mais nada
a dizer
- Evocando a primeira fala feminista negra – Mulheres,
Raça e classe
- O que é o Feminismo Negro?
- Lélia Gonzalez
e as opressões cruzadas.
- Situação da mulher negra no Brasil.
-
Ser uma mulher Amefricana em diáspora.
- E se meus alunos
tivessem conhecimento de sua negritude e amefricanidade?
Material de apoio para professores
Mulheres, raça e classe.
Ângela Davis. O discursos da Sojouner Truth.
Lélia Gozalez. Alex Ratss.
Vídeos
Link para o PretaPod!
Episódio 05- e se... meu aluno falar? E se... ele entender a decolonialidade?

-
O que é lugar de fala? – apresentação do livro
- A história
única
-
Racismo estrutural
-
Mito da democracia racial
-
Movimento negro decada de 70 e 80
-
Assumindo uma identidade negra
-
Negritude enquanto ato político
-
Politicas afirmativas como ato de resistência
Dicas de leituras para os professores:
O
que é lugar de fala? –Djamila Ribeiro
O
pequeno manual antirracista – Djamila Ribeiro
Link
para o PretaPod!
Referências bibliográficas
ALMEIDA, S. . Racismo
estrutural. São Paulo:
Pólen, 2019.
BISPO, Antônio dos Santos.
A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023.
DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Tradução
de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo,
2016
FANON, F. Pele negra,
máscaras brancas. Trad. de Sebastião
Nascimento. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
Krenak, Ailton. A vida não é útil.
São Paulo: Companhia das Letras,
2020.
KILOMBA, Grada. Memórias da
plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
Miranda, Eduardo
Oliveira.Corpo-território & educação decolonial : proposições afro-
brasileiras na invenção
da docência / Eduardo Oliveira
Miranda. - Salvador
: EDUFBA, 2020.
RATSS, A. Lélia Gonzalez. São Palo: Selo Negro, 2010.
RIBEIRO,
Djamila. O que é lugar de fala?. Belo Horizonte: Letramento, 2017
RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019
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